Numa reunião mostra-se a ferramenta nova a fazer o trabalho de alguém que está sentado ali. Ninguém comenta nada. O ambiente muda e fica assim o resto da tarde.
Só encontrei nome para isto em julho, num estudo do NBER. O Joshua Gans chama-lhe externalidade de sentido: demonstrar em público que a máquina consegue já baixa o valor do trabalho humano, mesmo quando a empresa mantém toda a gente no lugar.
As pessoas querem produzir alguma coisa útil e querem saber que aquilo depende delas. A automação chega à segunda parte primeiro.
Deixei de abrir estas conversas pela ferramenta. Abro pelo que passa a caber a cada um, e a diferença nota-se na sala.
NBER working paper 35559, julho de 2026.
Quando foi a última vez que viste o ambiente de uma sala mudar depois de uma demonstração?
Comentário 1 (logo a seguir)
Já vi isto numa reunião: mostrou-se a ferramenta a fazer o trabalho de uma pessoa que estava na sala. Ninguém disse nada, mas o ambiente mudou e ficou assim o resto do dia. Na altura não soube explicar porquê.
Comentário 2 (1–2 h depois)
Para quem pediu a fonte: é o working paper 35559 do NBER, de julho, de Joshua Gans. Está em nber.org e o resumo sozinho já vale a leitura.
Porque funciona: a frase no vídeo é contra-intuitiva e não se resolve sozinha, por isso o "entende na legenda" tem para onde apontar. E o assunto serve toda a gente que tem equipa, não só quem mexe em IA.
Sobre a legenda: a primeira versão tinha cara de IA (frases tipo "um detalhe que muda tudo", lista numerada certinha, tudo demasiado arrumado). Reescrita: entra pelo que se vê nas empresas, tem frases curtas, admite que usas IA todos os dias, e a pergunta do fim é de quem quer mesmo saber.